sexta-feira, 17 de abril de 2009

O ESPÍRITO SANTO

O ESPÍRITO SANTO

"Deus é Espírito; e em Espírito e Verdade é que o
devem adorar os que o adoram." (João, 4:24)

Sempre houve controvérsias no tocante à interpretação do que seja Espírito, ou Espírito de Deus.

O próprio evangelista Mateus, descrevendo o episódio ocorrido com Jesus às margens do rio Jordão, escreveu: "O Espírito de Deus desceu sobre ele sob a forma de uma pomba", o que implica em dizer que foi um Espírito enviado da parte de Deus. Nada se falou sobre Espírito Santo.

Léon Denis, em sua obra "Cristianismo e Espiritismo", citando Bellemare, diz: "Na versão grega dos Evangelhos e dos Atos, a palavra Espírito está muitas vezes isolada. São Jerônimo acrescenta-lhe a de santo, foram os tradutores franceses da Vulgata Latina que daí fizeram o Espírito Santo."

O dr. F. X. Funk, em sua História Eclesiástica, afirmou que Maomé acusava os cristãos de haverem falsificado os livros santos, principalmente introduzindo a doutrina da Trindade".

No primitivo Cristianismo, nem Jesus, nem Pedro, nem João, nem Paulo jamais cogitaram dessa trilogia, no sentido de ser o Espírito Santo uma das três partes de Deus. Os evangelistas a nada disso se referem. Jesus nunca ensinou que seu Pai tivesse três pessoas distintas numa só, das quais ele seria uma delas.

É fora de dúvida que o termo "Espírito Santo", foi incorporado , traduções dos Evangelhos, não tendo jamais constado dos originais. Isso foi feito com o propósito de servir aos interesses da Igreja, que, no Concílio de Nicéia, realizado no ano 325, e no Concílio de Constantinopla, realizado em 381, havia aprovado o dogma da Trindade, pelo qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo constituem uma só e única entidade. Havia, portanto, necessidade de o assunto ser corroborado pelos livros sagrados, o que, evidememente, lhe daria foros de verdade.

"Os primitivos cristãos comunicavam-se com os Espíritos dos chamados mortos, e deles recebiam ensinamentos. Nenhuma dúvida é possível sobre esse ponto, porque são abundantes os testemunhos. Resultam dos próprios textos dos livros canônicos. textos estes que conseguiram escapar às vicissitudes dos tempos, e cuja au tenticidade é indubitável." (Cristianismo e Espiritismo ¨Léon Denis)

Os Espíritos sempre se comunicaram com os homens. "Foi somente depois da Vulgata que a palavra sanctus foi constantemente ligada à palavra Spiritus, não conseguindo esta junção, na maioria dos casos, senão tornar o sentido mais obscuro e, mesmo, às vezes, ininteligível. Os tradutores franceses e livros canônicos foram ainda mais longe a esse respeito, contribuíram para desnaturar o sentido primitivo. Eis aqui um exemplo, entre muitos outros, lê-se em Lucas (cap. XI), texto grego:

"Aquele que pede, recebe, o que procura, acha; ao que bate se abrirá. Se, portanto, bem que sejais maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos; com muito mais forte razão vosso Pai enviará do céu, UM BOM ESPÍRITO àqueles que lhe pedirem".

As traduções francesas trazem o Espírito Santo. É um contra-senso. Na Vulgata, tradução latina do grego, está escrito Spiritum bonum, palavra por palavra: Espírito Bom. A Vulgata não fala absolutamente do Espírito Santo.

Em (Atos, 21:4), nota-se o seguinte:

"E disseram a Paulo, 'sob a influência do Espírito', que não subisse a Jerusalém."

Certas traduções francesas rezam "sob a influência do Espírito Santo".

Para os Espíritas, o chamado Espírito Santo é a comunidade dos Espíritos puros, a qual executa a vontade de Deus, nos vários campos em que a infinita misericórdia do Pai se esparge. Com a cooperação desse número infindável de amigos espirituais dedicados, Deus está sempre presente em toda a parte e preside a todas as coisas, porque eles são os executores de sua vontade soberana e os arautos que espalham o seu amor sobre todas as Humanidades.

Seria fastidioso transcrever todas as palavras contidas nos Evangelhos, nas quais Jesus demonstra a sua inferioridade em relação a Deus, revelando, a cada passo, ser Seu Filho, que tudo que veio ensinar aos homens havia aprendido do Pai. A subalternidade do Mestre Jesus em relação ao Pai é demonstrada a cada passo:

"A palavra que tendes ouvido não é minha, mas do Pai que me enviou."

"Eu não baixei do Céu para fazer a minha vontade, mas sim a Daquele que me enviou."

"Então Jesus, em alto brado, exclamou: Pai, em vossas mãos deixo o meu Espírito; e, pronunciando essas palavras, expirou."

"Eu subo a meu Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus." (Aparição a Maria Madalena, após a crucificação).

"E, à hora nona, Jesus soltou um brado, dizendo: Eli, Eli, Lama Sabachthani? Que quer dizer: Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparaste?

"Meu Pai, tudo vos é possível. Afastai de mim este cálice; entretanto, faça-se a vossa e não a minha vontade."

Evidentemente, ninguém pode refutar, jamais, que os primitivos cristãos e mesmo outros, que vieram em todos os tempos, sempre mantiveram íntimo intercâmbio com o mundo espiritual.

Sem falar nos profetas, que eram autênticos médiuns (medianeiros entre o Céu e a Terra), busquemos no próprio Evangelho e no livro dos Atos dos Apóstolos, a comprovação irretorquível da comunicabilidade que sempre existiu entre o mundo invisível e o mundo carnal, ou melhor entre os Espíritos desencarnados e os encarnados.

O apóstolo Paulo, em sua I Epístola aos Coríntios (12:1-11), dá uma orientação segura de como os médiuns devem comportar-se, quando da comunicação de Espíritos, como também em nenhum ponto afirma tratar-se da interferência do Espírito Santo. O apóstolo não desconhecia que Deus é uno, indivisível, eterno, onipotente e onisciente, sendo, portanto, inconcebível que Ele tivesse o seu poder e sua glória partilhados com outras duas entidades.

Na manifestação do Pentecostes (Atos, 2:1-13) a Igreja cita a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e o cumprimento da promessa de Jesus sobre o advento do Espírito de Verdade, do Consolador (João, 14:16-17); no entanto, não hesitamos em enquadrar essa manifestação nas recomendações de Paulo de Tarso, contidas na Epístola já citada, ou seja, no desabrochamento coletivo das mediunidades dos apóstolos, que passaram a falar em vários idiomas, através de uma mediunidade que, no Espiritismo, se chama poliglota.

A manifestação do Dia de Pentecostes não poderia, na realidade, representar o advento do Espírito de Verdade, do Consolador, do Paráclito, porquanto Jesus afirmou que esse advento aconteceria quando a Humanidade estivesse mais bem aparelhada, para compreender os seus ensinamentos, conforme se observa em João (16:12-13): 'Ainda tenho muito a vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas quando vier aquele Espírito de Verdade (não o Espírito Santo), ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir."

No Dia de Pentecostes não foi revelada nenhuma nova verdade. Os apóstolos apenas repetiram, em outros idiomas, aquilo que o Mestre já havia ensinado.

Se os homens não puderam suportar novas verdades, naquela época, não poderiam fazê-la quarenta ou cinqüenta dias, após a crucificação.

O Consolador, ou Espírito de Verdade, viria quase vinte séculos após, com a revelação da Doutrina Espírita.

No Pentecostes ocorreu apenas uma intensa manifestação de Espíritos do Senhor, ou de uma comunidade de Espíritos puros, nada tendo que ver com a tão decantada terceira pessoa da Divindade, criada três séculos após o advento do Cristianismo, por um ou dois barulhentos concílios.

Paulo A. Godoy

3 comentários:

Anônimo disse...

O "Espírito Santo" ou melhor, "Espírito Bom, ou Epírito da Verdade". Porque da verdade e não do erro / da mentira? Porque está subordinado à vontade de Deus. Na verdade, é uma das linhagens espirituais (desencarnadas) que como um exército, obedecem a vontade do seu Governador (Jesus), ordenadaspelo seu Rei (DEUS).

Segue exemplo das linhagens terrenas:

Suas Ligações e Conexões Espirituais:

Você também pediu para saber quem são seus "mentores espirituais"? Quem são os que constituem a sua linhagem espiritual, nós assim como você, trabalhamos dentro de determinadas linhagens espirituais, planos internos e externos de ashrams, etc. Dentro do Comando Ashtar e nas fileiras gerais dos Trabalhadores da Luz, tudo vai funcionar neste planeta por meio do Ofício do Cristo sob o comando específico de Jesus Cristo. Dentro deste universo, que também funciona por meio das ordenanças do Trono de Deus, representada pelo Arcanjo da Presença Divina Metatron. Nos níveis mais altos de trabalho dentro da linhagem dos Mestres de Luz e Som conhecidos como os Mostradores do Caminho Espiritual ou Viajantes. Todos nós Ministramos através dos protocolos da Ordem de Melquisedeque, e sob a proteção do Comando Angélico de Miguel, e as ordens de Miguel e Gabriel. Alguns trabalham sob as linhagens Arcangélica de Uriel, Jofiel, Chamuel, Rafael, Zadkiel, ou vários anjos e outros grupos de Devas. As Ordens de Enoch, Zadoque, o Ofício do Espírito Santo, a linhagem da Mestra Maria, a da Mãe Divina, há muitas linhagens assim. Há também muitas cidades espirituais no interior do planeta (dentro), na superfície e em volta da Terra; Telos, e Agartha são Cidades intraterrenas, Shambhala, no Trans-Himalaia e as Lojas dos Mestres do sul da Índia. O Avatar e a linhagem dos Kumaras, o Vairagi, a linhagem dos Viajantes do Espírito e assim por diante.

Se achar impróprio, pode remover esse conteúdo que não levarei para o lado pessoal.

Busquem conhecimento.

vibrações de paz.
p.

Anônimo disse...

Concordo! Pai ( Deus), Filho ( Jesus), Espirito Santo ( pleiade de bons Espíritos que são encarregados de realizar a(s) vontade(s) de Deus e de Jesus na Terra e, em todos os cantos do Universo.
Acho essa idéia muito lógica e espetacular, se pensarmos na perfeição do Universo. Creio que nós homens, ainda estamos muito longe de entender a verdade, mas essa idéia é bastante compreensível.

domonte disse...

O 1º comentário vem questionar: "por que não espirito da mentira?". O espiritismo não nasce de concílios, para impor ou compor hierarquia quanto a formação da divindade do Criador. Porém o espirito que se apresenta a Allan Kardec na codificação como "Espirito de Verdade" não vem expressar leviandade. Não sendo Kardec um homem de falácias ou meras conjecturar, jamais, iria dar vazão a coisas que não tivesse razão ou racionalidade e uma explicação científica e filosófica. Quanto estas ordenações acerca de nomes de Anjos , arcanjos e demais grupos classificados, esbarra em fragmentos de dúvidas em que a humanidade ainda carregados sobre as figuras de linguagens e suas supostas verdades Bíblicas. A sensatez do 2º comentário nos faz reflexionar acerca desta junção aceitável e lógica como: "Pai ( Deus), Filho ( Jesus), Espirito Santo ( pleiade de bons Espíritos que são encarregados de realizar a(s) vontade(s) de Deus e de Jesus na Terra e, em todos os cantos do Universo". Traz ai um sentido para trindade inventada pelo catolicismo, que não fazia tanto sentido de que um mesmo Deus ser ao mesmo tempo três.