quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Sintonize a frequência certa!


Dia dos Finados - visão Espírita



"Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer. Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento. Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração." 

O Livro dos Espíritos

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Porque um suicida não capta a ajuda espiritual antes do suicídio?

Vocês que estão lendo essas palavras neste momento, se você é influenciado por algum sentimento depressivo e, portanto, pensando em um impulso autodestrutivo, não faça isso.

Sentindo-se exausto e pensando que você está cansado da vida e está buscando alívio ao sair da vida material, tente ler este breve texto até o final por alguns minutos mais, e depois, por favor, faça um breve exercício de reflexão.

Os sentimentos autodestrutivos não podem resolver qualquer tipo de problemas, sejam eles quais forem. Pelo contrário, esses sentimentos apenas aumentam a frustração pessoal porque insinuam a idéia errônea de que você não conhece uma maneira de resolver a situação por conta própria e, além disso, não valerá a pena procurar uma ajuda de ninguém.

Como todos somos transmissores e receptores de vibrações mental-espirituais, permanecendo com essa postura mental, você acaba atraindo e sendo cercado por espíritos grosseiros que estão satisfeitos em envolver alguém que esteja passando por necessidades amargas e impulsos de suicídio.

A literatura espírita é pródiga nas narrativas que retratam a situação daqueles que se permitiram ceder ao impulso suicida, porque acreditavam que, deixando a vida por sua própria vontade, estariam se livrando de problemas. No entanto, uma triste surpresa está esperando por eles: eles não se livraram de seus problemas; seus problemas são aumentados; seu peso do sofrimento é aumentado.


Eles vieram da vida material para serem reentrados na Vida Real, a Vida Espiritual, onde nada está escondido dos espíritos guardiões. Eles sofrem ainda mais porque eles acordam em um lugar onde há choro e ranger de dentes e agora experimentam seus momentos finais pela repetição do último ato extremo com o qual eles terminaram sua existência.

Este ato extremo é reagido segundo a segundo. É como se o espírito suicida ficasse revivendo o momento do suicídio diversas vezes sem parar (segundo algumas obras espíritas que nos mostram esse fato).

O tormento imediato do suicídio é um tormento que parece ser infinito, eterno, para ele ou ela. Seu último ato fatal na vida material, que foi a ação que causou o extermínio da vida, é revivido repetidamente.

É o gatilho desencadeado pelo golpe da arma; o salto do edifício ou a ponte e a visão panorâmica de sua vida nos últimos segundos antes do impacto; e a sensação de seu corpo voando sobre os trilhos da estrada de ferro ou do veículo. Além disso, eles sofrem, repetidamente, nesse momento, como se fosse um filme sem qualquer interrupção.

É necessário perseverar na luta em busca de soluções – que existem! – e sempre chega através de amigos; Por mensagens escritas ou por outros meios. Não se pode esquecer que o Amigo de Todas as Horas – Jesus! – está atento às nossas necessidades e sempre envia os recursos que precisamos para superar as aflições. Evidentemente, aqueles que sucumbiram eram porque não podiam identificar o alívio enviado.

Quando surge um problema, uma aflição, se alguém se rende e permite um desequilíbrio interno, isso emite sinais perceptíveis para o Plano Espiritual. Com a mesma rapidez, que os Amigos do Maior enviam ajuda, entidades de padrão vibratório muito baixo que caracterizam os espíritos obsessivos, também se aproximam do sofredor encarnado e iniciam os cerco.

O espírito reencarnado, sem estar vigilante na fé, não percebe os fluidos benéficos sobre si mesmo e adere à pressão das vibrações inferiores, desanimadas. Com isso, parece-lhe que sua situação é ainda mais complicada porque essas entidades obsessivas apenas apresentam imagens sombrias.

Naquele momento, quando cercado de pressões antagônicas, a decisão dependerá do livre arbítrio do Espírito encarnado. Cabe a ele decidir qual força vai ganhar. No entanto, o Senhor adverte que, com a observação e a reza, será mais fácil evitar aflições.

Então, querido leitor, é melhor pensar bem e duas vezes. Reagir! Não se desencoraje, porque a resolução do seu problema já foi encaminhada para você. Embora você simplesmente não tenha percebido isso, está aguardando sua aceitação assim que você mudar de ideia.

Revise as últimas ocorrências. Levante a cabeça e diga a si mesmo: “Eu vou enfrentar isso! Eu vou ganhar! “E jogue fora seus pensamentos obscuros.

Em caso de dúvida, não tenha vergonha nem medo por pedir ajuda e alguém será encaminhado para ajudá-lo. Então, não desista. Seus melhores amigos do mundo espiritual estão apenas esperando sua decisão e então eles começarão a tratar suas feridas internas.

O Senhor ama você e Seu Amor nunca o deixará sozinho.

Fonte: Texto Original “Pensamentos Obscuros” por Geraldo Goulart, no site https://nwspiritism.com

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Como espíritos obsessores sugam energia



A simbiose prejudicial é conhecida como parasitose mental. Esse processo é tão antigo como o próprio homem. Após a morte, os espíritos continuam a disputar afeição e riquezas com os que permanecem na carne ou arruam empreitadas de vingança e violência contra eles. Na parasitose mental temos o vampirismo. Por esse processo, os desencarnados sugam a vitalidade dos encarnados, podendo determinar nos hospedeiros doenças das mais variadas e até mesmo a morte prematura. Para o mundo espiritual, “vampiro é toda entidade ociosa que se vale indebitamente das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens”.

O médico desencarnado Dias da Cruz lembra que “toda forma de vampirismo está vinculada à mente deficitária, ociosa ou inerte que se rende às sugestões inferiores que a exploram sem defensiva”. E explica a técnica utilizada pelos espíritos vampirizadores, situando-a nos processos de hipnose. Por ação do hipnotizador, o fluido magnético derrama-se no campo mental do paciente voluntário, que lhe obedece o comando. Uma vez neutralizada a vontade do sujeito, as células nervosas estarão subjugadas à invasão dessa força. Os desencarnados de condição inferior, consciente ou inconscientemente, utilizam esse processo na cultura do vampirismo.

SUGANDO AS ENERGIAS

Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade, sugando-lhes as energias, tomam conta de suas zonas motoras e sensoriais, inclusive os centros cerebrais (linguagem e sensibilidade, memória e percepção), dominando-as à maneira do artista que controla as teclas de um piano. Criam, assim, doenças fantasmas de todos os tipos, mas causam também degeneração dos tecidos orgânicos, estabelecendo a instalação de doenças reais que persistem até a morte. Entre essas doenças, Dias da Cruz afirma que “podemos encontrar desde a neurastenia até a loucura complexa e do distúrbio gástrico à raríssima afemia estudada por Broca”.

Relaciona ainda outras moléstias: “pelo ímã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca sobre si a contaminação fluídica de entidades em desequilíbrio, capazes de conduzi-lo à escabiose e à ulceração, à dipsomania e à loucura, à cirrose e aos tumores benignos ou malignos de variada procedência, tanto quanto aos vícios que corroem a vida moral. Através do próprio pensamento desgovernado, pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de alienação mental, como são as psicoses de angústia e ódio, vaidade e orgulho, usura e delinqüência, desânimo e egocentrismo, impondo ao veículo orgânico processos patogênicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada ou a morte”.

Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz se refere a um caso interessante de um homem desencarnado e uma mulher encarnada que vivem em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro. Ela busca ajuda na sessão do trabalho desobsessivo realizado por um centro espírita e, com o concurso de entidades abnegadas, consegue o afastamento momentâneo do espírito obsessor. Bastou, porém, que o espírito fosse retirado para que ela o fosse procurar, reclamando sua presença. Há muitos casos em que o encarnado julga querer o reajustamento, porém, no íntimo, alimenta-se dos fluidos doentios do companheiro desencarnado e se apega a ele instintivamente.

Em Obreiros da Vida Eterna, André Luiz descreve cenas de vampirismo em uma enfermaria de hospital. “Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, inflingindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os”, afirma. E confessa que os quadros lhe traziam grande mal-estar.

Marlene Rossi Severino Nobre
Associação Médico-Espírita do Brasil.

Fonte: Blog Meu Livro Espírita

Yvonne do Amaral Pereira


Médium romancista bastante respeitada no meio espírita, desencarnou em 1983. Em vida, psicografou o livro Memórias de Um Suicida (dos espíritos Leon Denis e Camilo Castelo Branco) que se constitui atualmente como o melhor exame sobre o suicídio sob o ponto de vista doutrinário espírita. Na foto, com Chico, em data desconhecida.

10 Filmes Espiritualistas que Vão te Fazer Sentir…e Pensar

Por Josie Conti

Será que existe algo além do que podemos ver?

Os filmes abaixo possuem conteúdo espiritualista e nos fazem pensar sobre o que existe para além da morte.

A lista, reforço, refere-se a filmes espiritualistas, e não espíritas. Todo filme espírita é espiritualista, mas nem todo filme espiritualista é espírita.


“Espiritualista como o próprio Allan Kardec nos ensina é quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, como a alma por exemplo. Espírita é quem tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível.” O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.


No final do artigo deixo também algumas dicas de filmes com conteúdo espírita mais fiel.



1- Minha vida na outra vida (Marcus Cole, 2006)


Pela primeira vez na história, um filme retrata, com fidelidade, lógica e respeito, a reencarnação, tema de interesse de milhões de pessoas em todo o mundo. Baseado em fatos reais relatos no livro autobiográfico de Jenny Cockell, Minha Vida na Outra Vida conta a história de Jenny, uma mulher do interior dos Estados Unidos, que tem visões, sonhos e lembranças de sua última encarnação, como Mary, uma mulher irlandesa que faleceu na década de 30. Intrigada, Jenny sai em busca de seus filhos da vida passada. Tem início uma jornada emocionante. Jenny é magistralmente interpretada pela renomada atriz Jane Seymour, de Em Algum Lugar do Passado. Só, que desta vez, não se trata de ficção, mas de realidade.






2- As cinco pessoas que você encontra no céu (2004)


Eddie era um jovem que cresceu em meio a guerras, trabalho árduo e uma educação rígida. No dia em que completa 83 anos, ele sofre um acidente no parque de diversões onde trabalhou a vida inteira. Quando ele se dá por si, tudo o que ele sente é que passou uma vida sem propósito, sem rumo….E o que se sucede é uma revisitação de sua vida por 5 pessoas, umas que ele conhece, outras que ele não tinha a menor ideia de quem eram, mas cujas vidas estavam de alguma forma ligadas à dele. Cada uma dessas pessoas revê com Eddie uma passagem de sua vida, resolvendo antigos mistérios, dissolvendo antigas mágoas, revivendo antigos amores. A cada experiência fica mais claro a grande importância de Eddie na vida de milhares de pessoas sem que ele se desse conta, provando que cada vida está ligada a outra de formas que muitas vezes não entendemos.






3- Os outros (Alejandro Amenábar, 2001)


Durante a 2ª Guerra Mundial, Grace (Nicole Kidman) decide por se mudar, juntamente com seus dois filhos, para uma mansão isolada na ilha de Jersey, a fim de esperar que seu marido retorne da guerra. Como seus filhos possuem uma estranha doença que os impedem de receber diretamente a luz do sol, a casa onde vivem está sempre em total escuridão. Eles vivem sozinhos seguindo religiosamente certas regras, como nunca abrir uma porta sem fechar a anterior, mas quando eles contratam empregados para a casa eles terminam quebrando estas regras, fazendo com que imprevisíveis consequências ocorram.






4- O Mistério da Libélula (Tom Shadyac, 2002)


Joe Darrow (Kevin Costner) é um médico que ficou viúvo recentemente e acredita que sua falecida esposa, Emily (Susana Thompson) esteja tentando falar com ele do mundo dos mortos, usando para isso pacientes que estejam à beira da morte. Além disto, Joe passa a ser perseguido por estranhas e misteriosas libélulas, que o fazem se lembrar cada vez mais da falecida esposa.






5- A casa do lago (Alejandro Agresti, 2006)


Kate Forster (Sandra Bullock) é uma médica solitária, que morava em uma casa à beira de um lago. Hoje esta casa é ocupada por Alex Wyler (Keanu Reeves), um arquiteto frustrado. Kate passa a trocar cartas com Alex, com quem mantém um relacionamento à distância por 2 anos. É quando, ao se descobrirem apaixonados um pelo outro, eles buscam um meio de se encontrar.






6- Amor além da vida


Em “Amor Além da Vida”, o céu não é simplesmente um espaço branco e cercado por nuvens. É, então, em um cenário que lembra os traços de uma pintura fresca para onde Chris Nielsen (Robin Williams) vai após sua morte. Tudo perfeito, até ficar sabendo que sua mulher, Annie (Annabella Sciorra), não aguentou a dor de ficar sozinha e se matou. Como suicida, ela é enviada a um local obscuro, distante dele, e não será mais capaz de reconhecê-lo caso o encontre. Mas isso não o impede de ir atrás de seu grande amor.






7- Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990)


“Ghost – Do Outro Lado da Vida”, que ganhou o Oscar de melhor roteiro original e melhor atriz coadjuvante, encanta até mesmo quem não é adepto do espiritismo. O longa conta a história de amor do casal Sam (Patrick Swayze) e Molly (Demi Moore) que vivem juntos na cidade de Nova Iorque. Após um assalto, Sam acaba morto, mas permanece como fantasma na terra e mantém contato com Molly através de uma falsa médium.






8- Passageiros (Rodrigo Garcia, 2009)


Claire Summers (Anne Hathaway) é uma jovem terapeuta designada por Perry (Andre Braugher), seu mentor, a dar orientação psicológica aos cinco sobreviventes de um terrível acidente aéreo. Ela enfrenta problemas ao ser confrontada por Eric (Patrick Wilson), que recusa sua ajuda e usa o acidente para tentar cortejá-la. Isto faz com que, paralelamente, Claire lute contra as iniciativas de Eric e os demais pacientes enfrentem dificuldades com as lembranças do acidente, distintas das explicações oficiais fornecidas pela companhia aérea.






9-Um olhar do Paraíso (2009)


Após ser brutalmente assassinada aos 14 anos, Susie Salmon (Saoirse Ronan) continua preocupada em cuidar da sua família. Presa em um espaço entre o céu e o inferno, ela precisa lidar com um paradoxo de sentimentos: o desejo de vingança contra seu assassino e a vontade de ver sua família seguir com a vida em frente e superar sua morte traumática.






10- Além da Eternidade (1989)


Neste filme de Steven Spielberg, Pete Sandich (Richard Dreysfuss) é um piloto que costuma abusar da sorte com manobras arriscadas. Em uma de suas missões, após salvar seu melhor amigo, seu avião pega fogo e explode. Morto, ele encontra um anjo, que explica que a sua função agora é justamente ajudar outros pilotos quando eles mais precisarem, como uma espécie de anjo da guarda.




DICAS EXTRAS:


1- Na Netflix você encontrará “Os outros”, “O Mistério da libélula”, “Amor além da vida”, “Passageiros” e “Um olhar do Paraíso”.


2- Mais alguns filmes que poderiam ter entrado na lista acima são: Sexto Sentido, Cidade dos Anjos, A espera de um Milagre, A Casa dos Espíritos e “Encontro Marcado”.


3- Há também uma série com 5 temporadas chamada Ghost Whisperer com a atriz Jennifer Love Hewitt.


4-Abaixo, uma sequência de filmes com conteúdo Espírita mais fiel. Tenho certeza que os leitores poderão dar mais exemplos nos comentários.


São eles: Nosso Lar, Chico Xavier, Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito, E a vida continua, Causa e Efeito, O filme dos espíritos, JOELMA, 23º ANDAR.

domingo, 22 de outubro de 2017

Por que o Espiritismo não está na ciência mainstream?




Para responder plenamente a esta questão, precisaríamos de muito mais de que um texto de blog. Fiz isso em parte na minha tese de doutorado, na USP, sobre Pedagogia Espírita (depois publicada como Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes), mas como nem todos leram esse trabalho e como recentemente esse debate veio à tona por causa de um vídeo de três minutos de Pondé, onde ele faz uma rápida, superficial e descolada apreciação do espiritismo, resolvi escrever algo a respeito.

O que primeiro deve ser dito é que a possível consistência filosófica e científica do espiritismo ficou embaçada pelo movimento religioso que se criou no Brasil, bastante afastado da racionalidade e do método de análise crítica que propunha Kardec, na abordagem dos fenômenos mediúnicos. É preciso um esforço de escavação do pensamento espírita original, de uma leitura bem feita dos que sucederam Kardec, com pesquisas sérias no final do século XIX e início do século XX e depois acompanharmos o que tem sido intermitentemente pesquisado a partir da segunda metade do século XX até nossos dias – para nos pronunciarmos a respeito da questão proposta.

Não, Kardec não era um autor positivista à moda de Augusto Comte. Em nenhum sentido. O positivismo do século XIX era um cientificismo, que pretendia abarcar toda a realidade pela ciência, partindo aliás de pressupostos filosóficos materialistas. Demonstrei em minha tese que Kardec justamente faz a crítica desse discurso cientificista e reducionista e sua concepção de ciência se aproxima muito mais de teóricos contemporâneos como Thomas Kuhn, por exemplo. Isso porque ele reconhecia que não há ciência sem articulação filosófica, como vários filósofos da ciência apontariam no século XX. Ele também não é positivista, porque o positivismo queria a morte da filosofia, a morte da ideia de transcendência humana e Augusto Comte jamais fez uma pesquisa empírica. Ele era um teórico. Inventou uma narrativa cientificista e uma religião sem espiritualidade e sem Deus, de que ele era o supremo sacerdote. Uma figura excêntrica e considerada medíocre pelos pensadores contemporâneos. A tentativa, portanto, de classificar o espiritismo de positivista é uma simplificação ingênua ou de má fé, porque se trata de colocar Kardec nesse rol pretensiosamente pseudocientífico de que Comte é um dos representantes mais conhecidos.

O que Kardec propôs, e realizou, foi uma nova abordagem metodológica para compreender fenômenos que sempre estiveram presentes na história da humanidade: percepções extra-sensoriais, comunicações de pessoas que já haviam morrido e lembranças de vidas passadas. Já na Grécia antiga temos diversas manifestações desse gênero, como as recordações que Pitágoras e Sócrates tinham de outras existências, como a ideia de reencarnação em Platão ou ainda histórias de visitas espirituais nos clássicos da literatura grega, como Ilíada e Odisseia. Isso apenas para citar os gregos, sem mencionar toda a história do pensamento humano, no Oriente e no Ocidente. Segundo uma minuciosa pesquisa feita pelo antropólogo de Sri Lanka Gananath Obeyesekere, Imagining Karma: Ethical Transformation in Amerindian, Buddhist, and Greek Rebirth, a mais universal das ideias a respeito da vida pós-morte é a reencarnação e ela aparece em todas as culturas dos cinco continentes, sem que tenha havido influências e trocas entre elas.

A universalidade de uma ideia não atesta a sua verdade, mas pelo menos nos chama a atenção para uma análise respeitosa. A questão é que além dessa universalidade e antiguidade tanto da ideia da reencarnação, como da comunicação com os espíritos – ambas atestando a imortalidade da alma – desde o tempo de Kardec até hoje, há pesquisadores comprometidos com métodos rigorosos de análise dos dados, que vêm se debruçando sobre isso. E depois de Kardec, a maioria dos que pesquisaram não estavam ligados e às vezes nem tinham conhecimento do espiritismo, muito menos desse espiritismo religioso e acrítico que se estabeleceu no movimento brasileiro.

No meu ponto de vista, a mais consistente pesquisa que vem confirmando a teoria da reencarnação, proposta por Kardec, é a de Ian Stevenson e de seus associados e sucessores. Mais de 2500 casos de recordações espontâneas de crianças a respeito de supostas vidas passadas, observadas com metodologia bastante rigorosa, incluindo os casos com marcas de nascença, não explicáveis pela hereditariedade, mas que correspondem exatamente à causa da morte da personalidade anterior, que a criança diz ter sido, cuja comprovação é encontrada no atestado de óbito e na autópsia da dita personalidade…

Fenômenos de quase-morte, de poltergeist, de telepatia, de clarividência… tudo já foi objeto de pesquisas sérias com resultados de evidências bastante promissoras, que nos levam às mesmas conclusões que Kardec, no século XIX, que tinha suas limitações do momento histórico, para uma pesquisa com o rigor que podemos desenvolver hoje.

Eu mesma participei, como médium analisada, de uma interessante pesquisa liderada por Julio Peres, doutor em Neurociências, pela USP, Alexander Moreira-Almeida, doutor em Medicina pela USP e por Andrew Newberg, doutor e pesquisador norte-americano especializado em neuroimagem, na Universidade de Pensilvania. (Ver artigo publicado a respeito).

Por que mesmo então o espiritismo não está na ciência mainstream? Ora, porque essas evidências ferem paradigmas muito arraigados, então é preciso negá-las, afastá-las, fechar os olhos e ridicularizá-las. Elas ferem tanto o paradigma materialista reinante nas universidades, que é um paradigma puramente ideológico, como fere o fundamentalismo das religiões institucionais, que ficam apavoradas com o desvendar da vida pós-morte como algo natural, o que lhes tiraria completamente a função de mediadoras, que controlam o pedágio para o céu.

A ideia da reencarnação implica numa moralidade que os materialistas não querem aceitar, no seu relativismo ético e implica numa emancipação do indivíduo como dono espiritual de si mesmo, que as religiões institucionais tampouco querem integrar em sua visão do Além.

Além disso, sabemos hoje – Noam Chomski e outros denunciam isso de forma bastante convincente – o quanto a ciência atende a interesses econômicos, militaristas, de facções. Então nem sempre (ou raramente?) há isenção na chamada ciência mainstream. Foi essa aliás, uma das boas contribuições que Thomas Kuhn deu à filosofia da ciência, mostrando que os paradigmas de uma determinada comunidade científica não são compostos apenas de evidências, mas de visões de mundo, que são sociais, históricas, subjetivas…

Os espíritas brasileiros, com seu discurso fechado, em sua maioria com uma visão estreita, também não contribuíram para o espiritismo sair do seu gueto e alcançar a universidade – mas esse é um fato que está sendo revertido, porque pesquisadores sérios como os citados acima e outros, que fazem parte de grupos de pesquisa no Brasil e lá fora, vieram do movimento espírita, mas se desfizeram das amarras meramente religiosas e estão se dedicando a abrir novas trilhas de abordagem metodológica de fenômenos, que evidenciam que sobrevivemos à morte e que o Espírito é imortal. Eles dão as mãos a outros pesquisadores, que não vieram da comunidade espírita, mas estão também comprometidos com essa descoberta do Espírito. A verdade não é espírita, budista, católica ou ateia: ela é apenas a verdade, objetiva, palpável e pode oferecer evidências, se quisermos vê-las.

Fonte: ABPE